quarta-feira, 3 de julho de 2013

Resenha: "O Fim de todos nós" - Megan Crewe

Título original: The Way We Fall
Autora: Megan Crewe
Número de páginas: 267
Editora: Intrínseca
 "Tudo tem início com uma coceira insistente. Então vêm a febre e o comichão na garganta. Dias depois, você está contando seus segredos mais constrangedores por aí e conversando intimamente com qualquer desconhecido. Mais um pouco e começam as alucinações paranoicas.
ENTÃO VOCÊ MORRE."
   
   O livro conta a história de Kaelyn, uma adolescente que não tem muitos amigos, e que se mudou recentemente de volta para a ilha onde cresceu. Ela passou dois anos em Toronto, no Canadá, e todo esse tempo ficou sem falar com seu melhor amigo, Leo, que ela considerava um pouco mais que apenas amigo. Eles discutiram por um motivo bem pequeno antes de ela viajar, e desde então se culpa por isso. Mas é quando ela finalmente volta para a ilha e descobre que Leo se mudou para o continente para estudar que ela se dá conta do tanto que sentia falta dele. Kaelyn decide então escrever um diário relatando seus dias solitários e que depois supostamente entregaria-o para Leo.
   Mas esse diário acaba tornando-se o relato de uma epidemia que tomou conta da ilha e criou pânico em toda a população. Os sintomas do vírus são uma coceira insistente, tosses, espirros, e principalmente, a perca das inibições sociais e o começo de alucinações. Os portadores da doença não têm medo de nada, e são capazes de qualquer coisa quando contraem a doença (o que nos faz lembrar histórias  sobre zumbis, não acham?). O pior de tudo é que a doença é letal, e ninguém sabe como detê-la. Mesmo o pai de Kaelyn, Gordon, que é microbiologista, nunca tinha ouvido dizer sobre o assunto. O medo toma conta da ilha, e então  o governo decide impedir seu contato com o continente, e tudo entra em caos: a balsa é ancorada, os barcos do cais são destruídos, embarcações barram o estreito até o continente, e pra piorar, as linhas telefônicas são danificadas. A ilha entra em quarentena, e o governo, que prometeu ajudar, vai aos poucos se tornando indiferente com a situação.
    Os poucos moradores sãos que restaram na ilha, entram, então, em combate para a própria sobrevivência, e alguns deles regridem à selvageria. Os estabelecimentos comerciais são invadidos, pessoas doentes são mortas a sangue frio, gangues se formam, e quase nada pode ser feito para impedi-los. Kaelyn é uma dessas pessoas que não se deixa abater, e faz tudo para ajudar as pessoas que estão sozinhas e sem assistência às necessidades básicas. Ela faz o que pode no hospital, nas ruas e até recorre a alguns métodos que julgaríamos antiéticos se a situação fosse outra.
     A história em si não inclui muitos fatos, mas os poucos que se apresentam são desesperadores, as história toma rumos muito tristes e muitas vezes ficamos aflitos. Além da paranóia que se instala em nossa mente enquanto estamos lendo, o temor parece ser tão real que qualquer espirro ou coceirinha que sentimos enquanto estamos lendo já nos deixa preocupados.
     O livro não é uma distopia, embora seja as vezes taxada como uma. Ele está muito mais próximo de um thriller psiclógico, pois o tempo todo os personagens têm que manter suas mentes sãs, e a busca pela cura da doença é totalmente feita através de pesquisas laboratoriais - que são citadas vagamente no enredo - e não encontro físico, como é o caso da maioria das distopias.
      "O fim de todos nós" é o segundo romance escrito por Megan Crewe, e é o primeiro livro da trilogia "Fallen World". O nome original do livro é "The Way We Fall" (algo como: "a forma que caímos" ou "como caímos") o que explica o nome da série. O segundo livro já foi publicado nos Estados Unidos com o título "The Lives We Lost" (que em tradução livre significa "as vidas que perdemos") sem data de lançamento prevista para o Brasil. O terceiro livro ainda não foi lançado e seu nome será "The Worlds We Make" (que pode significar "os mundos que criamos/fizemos/fazemos").



~Rodolfo
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