segunda-feira, 7 de julho de 2014

Resenha: "Como eu era antes de você" - Jojo Moyes


Olá, minha gente! Particularmente espero passar a ideia que tive desse livro nessa resenha, demorei um pouco até conclui-la. Bom, vamos lá.
Título Original: Me Before You
Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Nº de págs: 318
Somos conduzidos pela narrativa autodiegética (em primeira pessoa) feita pela protagonista Louisa Clark: 25 anos, um trabalho fixo, mas não muito promissor; uma vida acomodada com pouca perspectiva de evolução ou sequer um sonho a atingir; e um namorado que nem ela mesma tem certeza de amar. Tudo isso só ganha ainda mais peso em sua vida quando o café no qual ela trabalhava como garçonete fecha as portas, e ela, portanto, é forçada a procurar um novo emprego, já que sua família conta com ela para se manter financeiramente estável.
A história passa a criar um ritmo a partir do momento em que Louisa assume seu novo trabalho como cuidadora (e animadora) de um rapaz tetraplégico. A princípio não era exatamente esse cargo que ela esperava após tantos anos como garçonete, mas o salário era bastante generoso, o que a fez pensar: “Por que não?”. Will Traynor, o rapaz que Lou é contratada para ajudar, já fez muitas coisas das quais famílias ricas podem desfrutar, tais como viagens ou esportes radicais em países turísticos, o que dificultou ainda mais a aceitação da cadeira de rodas e da impossibilidade de executar coisas simples sozinho. O contato imediato de Will com qualquer pessoa é circundado por impaciência e amargura. Com Lou não é diferente, mas algo entre a antipatia de Will e a teimosia de Louisa faz com que essa relação se torne...interessante.
A narrativa, como eu disse, é em primeira pessoa feita por Louisa, portanto, o tempo todo, somos influenciados pelos pensamentos e opiniões dela acerca dos outros personagens. Mas algum elemento no fato de como Jojo Moyes elaborou a escrita me fez ter a impressão de não estar amarrada unicamente à protagonista. Eu senti que ao mesmo tempo em que tínhamos a impressão de Louisa sobre os outros, também tínhamos acesso aos sentimentos desses mesmos personagens secundários de maneira mais profunda do que geralmente nos é permitido em livros desse tipo.
Moyes tratou com perceptível facilidade o assunto escolhido: assimilar as dificuldades enfrentadas por deficientes físicos e o amor das pessoas ao seu redor. O desequilíbrio emocional gerado pela incapacidade motora e a tentativa de familiares e amigos de lidar com a situação enquanto tentam permanecer firmes, mesmo sabendo o quão difícil é. Foi interessantíssimo ver o crescimento psicológico não só de Will e Louisa, mas de todos os personagens, um em decorrência do outro.
Outro ponto que achei um diferencial em relação a alguns livros desse mesmo gênero que li, é a facilidade de descrição que a autora transpareceu durante o livro. A pequena cidade na Inglaterra onde se passa a maior parte da história se torna incrivelmente atrativa sob a perspectiva da protagonista. E você pode estar pensando que a escrita, portanto, é rica em detalhes e prolixa demais. Aí que você se engana, pois contamos apenas com uma escrita simples e objetiva, mas plenamente capaz de nos encantar.
Enfim, galera, basicamente foram essas as minhas impressões. De início fiquei meio em dúvida se havia gostado ou não, mas acho que o fato de o desfecho ter sido diferente do que eu esperava me fez pensar um pouco e eu acabei decidindo que isso foi bom para o acabamento da história e que fez pleno sentido. Espero que vocês tenham gostado, e deem uma chance para Jojo Moyes, vale muito a pena. Fiquem com apenas uma quote que achei fantástica:

“Durante algum tempo, você vai se sentir pouco à vontade em seu novo mundo. É sempre estranho ser arrancado da sua zona de conforto. Mas espero que fique animada também. (...)
Não estou lhe dizendo para saltar de prédios altos, nadar com baleias ou algo assim (embora, no fundo, gostaria que você fizesse essas coisas), mas para viver corajosamente. Ir em frente. Não se acomodar. Usar aquelas meias listradas com orgulho. E se quiser mesmo se acomodar com algum sujeito ridículo, garanta que um pouco de tudo isso fique guardado em algum lugar. Saber que você ainda tem possibilidades é um luxo. Saber que lhe dei algumas me dá certo alívio.”