terça-feira, 30 de setembro de 2014

Resenha: "O Reino das Vozes Que Não Se Calam" - Carolina Munhóz e Sophia Abrahão


Olá gente, aposto que já estavam sentindo minha falta, né? Mas já voltei com um livro do Selo Fantástica da Rocco, e devo dizer que a capa desse livro é demais. Recebemos no comecinho de setembro mas só consegui ler agora. Mas nunca é tarde, vamos ao que interessa.
A História de “O Reino das Vozes que não se Calam” mescla fantasia e elementos do cotidiano de uma adolescente comum que ainda procura um “lugar ao sol”, digamos assim. Seu nome é Sophie, cabelos ruivos, magra demais, introspectiva e possui apenas uma amiga chamada Anna que mesmo sendo sua amiga mais antiga, possui um gênio forte demais que faz com que Sophie repense as vezes a força e a durabilidade dessa amizade.

Nada vai realmente bem para nossa protagonista, tudo que ainda restava e a ajudava a continuar tentando aos poucos vai ruindo ao seu redor, forçando sua autoestima ainda mais para baixo. É aí que seus sonhos começam a desempenhar papeis importantes em sua vida. Uma noite, sem mais nem menos, como um sonho qualquer porém muito mais real, Sophie é sugada para um lugar diferente (que pela descrição nos remete ao Mágico de Oz) onde tudo é lindo demais para ser verdade, um lugar onde as pessoas a respeitam, além de chamarem de princesa daquele Reino. Mas Sophie não poderá ficar lá para sempre e deixar toda a sua vida para trás, mas tudo conspira para que ela o faça, já que as últimas coisas que a prendiam no mundo real se desintegraram e agora cabe a ela fazer o que for necessário e escolher a alternativa certa.

- É sempre necessária alguma escuridão para se ver estrelas

Falando da protagonista um pouco mais a fundo, gostaria de deixar claro que entendi a ideia das autoras de explicitar o sofrimento de Sophie, o modo como ela sofria um tipo de bullying e não se sentia inclusa. Contudo, ela mesma não se ajuda, o tempo todo se autodepreciando e se rebaixando só porque a maioria da sociedade em que ela está diz que é o certo. Ela não é capaz de enxergar as coisas boas em si e as pessoas que tentam ajudá-la. Por outro lado, me identifiquei bastante com seu gênio forte e seu humor ácido sem intenção. Alguns diálogos deixam o livro cômico em algumas partes devido à protagonista. A escrita, embora eu saiba que foi desenvolvida visando um público infanto-juvenil (pelo menos foi o que atingiu), me deu a impressão de que a inspiração vinha somente em alguns momentos, e em outros a escrita se torna rasa demais, talvez devesse haver uma mesclagem maior, contudo, temos que levar em conta também o fato de o livro ser escrito por duas autoras diferentes.
No plano de fundo do século XXI temos uma discussão frequente que é o adolescente que não se encaixa na realidade que lhe é fornecida, portanto ele acaba criando um modo de se adaptar, e no livro o Reino dos sonhos de Sophie foi uma caracterização desse mundo que ela julga ser ideal, tudo isso mesclando elementos já vistos e trabalhados em “Alice no País das Maravilhas” e “O Mágico de Oz”, grandes clássicos que autores contemporâneos devem tomar o devido cuidado na hora de usar como referência, uma vez que esse fator definirá a história: ou ficará ótima ou ficará ruim. E achei que Carolina Munhóz e Sophia Abrahão souberam equilibrar tudo em uma narrativa onisciente sensível e cheia de significado. Além de o desfecho ter sido encantador, pelo menos foi o que eu esperei que acontecesse desde o início.

Enfim, espero que vocês também se aventurem nesse Reino, quero opiniões divergentes!

Título: O Reino Das Vozes
Que Não se Calam
Autoras: Carolina Munhóz e
Sophia Abrahão
Editora: Selo Fantástica (Rocco)
Nº de págs: 285
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