terça-feira, 2 de setembro de 2014

Resenha: Trilogia "Delírio" - Lauren Oliver


Olá, amigos! A resenha que fiz hoje é novamente de uma distopia (após certo tempo sem elas, voltei), porém não posso dizer que estou plenamente satisfeita com o retorno.  Permitam-me uma justificativa.


E se o amor fosse considerado uma doença para a qual eles houvessem encontrado a cura? E que todos os jovens ao chegar aos dezoito anos são obrigados a passar por essa cura? Ou ainda que quem se apaixonasse ou expressasse qualquer afeto por outra pessoa além do considerado “normal” era preso ou morto? É nessa sociedade em que Lena, protagonista do livro Delírio, vive.
Mas não podemos prever quando vamos nos apaixonar, e com Lena não foi diferente. Tudo estava certo para a sua “intervenção” (como eles chamam o processo de cura), mas algo no caminho deu errado, ela se desviou e de repente não era mais a cura que ela desejava. A insatisfação e o desejo de liberdade cresciam dentro dela. Aquele governo ditatorial que dizia tudo o que era e o que não era permitido fazer; a violência constante e o medo que aterrorizava a população a ponto de se manterem na linha apenas para que a sua segurança fosse preservada.. tudo isso é intensificado ainda mais pelos acontecimentos no decorrer dos capítulos.





Título Original: Delirium
Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Nº de págs: 352


Bom, vamos primeiro falar do que eu esperava. Cheguei a ver várias resenhas favoráveis à Trilogia Delírio, a sinopse realmente me pareceu promissora. Empolguei-me porque gostava (ainda gosto) de distopias, a considerar Divergente que me agradou horrores, não importa o que digam. Enfim, devo dizer que me frustrei um pouco, talvez pelo fato que eu estar tombando para os romances ultimamente e as protagonistas distópicas problemáticas que se questionam mentalmente mais que o necessário andam me tirando a paciência.

“Gotas, gotas: somos todos pingos, gotas idênticas de pessoas, flutuando, esperando cair, esperando que alguém nos mostre o caminho, nos derrame em uma direção.” (Pandemônio)

A trilogia tinha uma premissa atraente, mas tive a impressão de que a autora se perdeu entre os capítulos. Os dois primeiros volumes contam com uma introdução plana e sem grande impacto no leitor, para que no final de cada um ele seja surpreendido (ou talvez nem tanto assim já que é possível se deduzir os acontecimentos) por algum fio que só será ligado na sequência.







Título Original: Pandemonium
Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Nº de págs: 301


Aí vocês me perguntam: mas se você gostou da Tris, por que não gostou de Lena? É claro que Lena possui os mesmo atributos que Tris no quesito construção, afinal, ambas saíram de uma distopia, mas acontece que Lena teve uma balança mais favorável para as características que mais me incomodam: o tempo todo preocupada com os outros, a ponto de estar em uma situação crítica e esquecer-se de se manter segura (nem sempre, antes tarde do que nunca ela acorda e começa a fazer algumas coisas direito); o romance desenvolvido na trama se torna mal resolvido e cansativo pois ela se questiona sobre ele sempre que sobra uma brecha na narrativa; a pressão psicológica exercida em cima dela é toda transportada para nós, não que eu não queira saber como ela se sente, mas digamos que ela se lamenta de mais e faz de menos.

“É tão estranho como a vida funciona: você quer alguma coisa e espera por ela, espera, espera, espera, e parece que está demorando uma eternidade para acontecer. Então, ela acontece, acaba, e tudo que você quer é voltar àquele instante antes que as coisas mudassem.” (Delírio)





Título Original: Requiem
Autora: Lauren Oliver
Editora: Intrínseca
Nº de págs: 304





No terceiro volume, Réquiem, temos uma mudança na narração dos capítulos. Hana, melhor amiga de Lena desde o começo entra em capítulos alternados para sabermos o que aconteceu com ela, pois em um determinado ponto da trilogia ambas se separam devido às circunstâncias. Eu achei uma sacada inteligente essa alteração, pois acabamos nos sentindo um pouco mais atraídos pela história dela, uma vez que a partes de Hana se tornam bem mais interessantes que as de Lena.
Outro ponto a ser mencionado é as partes em que há ação. Em vez de ficarmos empolgados com a situação e ter um suspense no ar, simplesmente passamos os olhos por elas sem muito entusiasmo, o que deixou o livro ainda mais morno.
Conforme vão restando poucas folhas pra terminar o livro, já podemos perceber o desfecho que Lauren Oliver dará, não foi muito criativo, mas também não pude pensar em outra forma de amarrar todas as pontas senão assim. Embora ainda tenham ficado algumas incógnitas.
De maneira geral, os três livros cumprem a função de entreter, mas nada mais que isso. Talvez se fosse uma saga eu não tenho certeza se continuaria a leitura. Espero ainda ler mais coisas de Lauren Oliver que me façam ter uma perspectiva positiva. Um beijo pra vocês!

“Neste momento me ocorre que as pessoas têm seus próprios túneis: espaços escuros e sinuosos, e cavernas; é impossível conhecer todos os lugares que existem dentro delas. Mesmo imaginar já é impossível.” (Pandemônio)

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