sábado, 7 de fevereiro de 2015

Resenha: "A Trilogia do Mago Negro" - Trudi Canavan


Oi pessoal, hoje eu vim falar sobre uma trilogia de fantasia que não é muito conhecida no mercado; estou falando da Trilogia do Mago Negro. Eu conheci esses livros por acaso e quando fui procurar resenhas e opiniões sobre eles todas basicamente falavam que as coisas demoravam para engrenar, mas depois a história ficava ótima. A partir daí o meu interesse pela trilogia só aumentou, até que finalmente a ganhei de presente de aniversário do meu primo. Obrigado Luiz!

Nessa história vamos acompanhar Sonea, uma garota favelada que mora com seus tios e leva uma vida relativamente boa; até o dia da purificação. A purificação é um evento que ocorre anualmente em Imardim, cidade onde Sonea mora, e nesse dia os magos do clã local se reúnem, a mando do rei, para expulsar os pedintes, criminosos e vagabundos para a favela. Devido a esse fato, toda a população mais pobre de Imardin odeia os magos e é obrigada a assistir indefesa todos os anos o seu povo ser tratado com indiferença e desprezo. Nessa purificação, porém, acontece algo que choca a todos.




Título Original: The Black Magician's Guild
Autora: Trudi Canavan
Número de páginas: 434
Editora: Novo Conceito





A fim de tentar perturbar os magos, Sonea se reúne com alguns amigos e começa a atirar pedras em cima deles, mesmo já sabendo que não adiantaria nada por conta da barreira mágica ao seu redor. Porém, o que acontece é que a pedra atirada por Sonea atravessa essa barreira e acerta em cheio um mago na testa, deixando-o desacordado. E é aí que a vida dela vira um caos. Estupefata, Sonea começa a correr, e a perseguição que se segue a isso toma metade do primeiro livro. Crente que seria morta se fosse pega pelos magos, Sonea confia no seu amigo Cery e os dois vão pedir ajuda para um grupo de pessoas nada confiável, os ladrões.

Isso é o máximo que posso contar sobre o enredo e para descobrir o resto você terá que ler os livros, mas antes que faça isso eu sugiro que leia as ressalvas que tenho a fazer sobre a história. 

“Sim e não. Tenho poucos amigos. Suponho que era solitário. Mas era um tipo de solidão entediante. A vida não é muito dolorosa quando você não se permite um envolvimento com os outros. – Ele parou. – Mas será isso realmente viver?” 





Título Original: The Novice
Autora: Trudi Canavan
Número de páginas: 534
Editora: Novo Conceito




Bem, a meu ver a trilogia tinha tudo para dar muito certo e atingir um nível igual ao da série Harry Potter, mas um grande ponto falho conseguiu praticamente acabar com todas as características boas dela. De uma forma ou outra todas as ressalvas que eu tenho a fazer se relacionam com esse ponto falho, então vamos a ele: o desenrolar dos acontecimentos, a sequência das ações, a construção das interações dos personagens e a estrutura como um todo da trilogia foi muito mal executada. A autora errou feio ao dividir a história pelos três livros e tornou maçante a coisa toda. 

Fiquei realmente decepcionado ao perceber isso, pois minhas expectativas estavam muito altas com relação a essa trilogia. Minha frustração aumentava cada vez mais quando a autora pegava toda a riqueza que tinha em mãos e jogava tudo fora. Pareceu para mim que ela teve medo de arriscar e acabou optando pelo caminho mais fácil.

Sonea, a personagem principal, era realmente encantadora. Me afeiçoei muito a ela devido a tudo o que ela passou e também por ser uma personagem muito verdadeira. Ela me lembrou muito de Tris, a heroína de divergente, pois, assim como Tris, ela teve que se virar em um ambiente totalmente diferente e mesmo assim foi corajosa. 




Título Original: The High Lord
Autora: Trudi Canavan
Número de páginas: 612
Editora: Novo Conceito




Outra coisa que tornou os livros maçantes foi a falta de outros focos além da história de Sonea e das coisas que aconteciam no Clã. Não é como se nós não tivéssemos histórias subjacentes, mas a trilogia foi muita preguiçosa em aprimorá-las e, assim, não se permitiu ter grandes reviravoltas e surpresas. Como eu disse, a autora não quis se arriscar.

A mitologia criada foi bastante original, mas também não me agradou muito. Os magos são burocráticos e regrados demais, ficam impondo limites ao poder que, por falar nisso, é um tanto fraco. Tudo isso resulta em poucas demonstrações de magia durante a história. Pois é, uma trilogia que fala de magos, mas que na verdade nem aparece tanta magia assim. 

De qualquer forma, essa foi a minha resenha para a Trilogia do Mago Negro; não posso dizer que a odeio, me sinto mais é frustrado ante a perspectiva do que ela poderia ter sido.

“O que era natural e certo? Quem realmente sabia? O mundo nunca fora algo tão simples a ponto de uma única pessoa saber todas as respostas.”
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